
Valdir Cónego, um conhecido militante do MPLA, está prestes a apresentar a sua renúncia do partido, após enfrentar um processo disciplinar imposto pelo Comitê Central do MPLA. Natural de Malanje, Cónego, que iniciou a sua militância no associativismo e influenciou muitos jovens a aderirem ao partido nas diversas campanhas eleitorais, parece estar a caminho do Partido Cidadania, liderado pelo político Júlio Bessa.
A situação de Valdir Cónego ganhou destaque após a primeira reunião do Comitê Central do MPLA, evento que foi marcado por um ambiente de renovação e esperança, com a estreia de Mara Quiosa como vice-presidente do partido. No meio de um universo de quase 700 membros do Comitê Central, apenas cinco figuras se destacaram pela defesa do líder João Lourenço e da direcção do MPLA. Bento Kangamba, o advogado Tito Cambanje, Milca Caquesse, Auzílio Jacob e Anabela Dinis foram os únicos a apoiar a medida disciplinar contra Cónego, enquanto outros membros do partido, como Valdir, se opõem abertamente a essas decisões.
A trajetória de Valdir Cónego é marcada pela sua luta pela moralização da sociedade, tendo colaborado com o Gabinete para Cidadania e Sociedade Civil do MPLA e com a Casa Militar do Presidente da República. Durante essa fase, ele desempenhou um papel importante no Gabinete de Ação Psicológica, onde contribuiu com várias iniciativas para o partido. Contudo, seu posicionamento crítico e frontal em relação ao rumo tomado pelo MPLA, especialmente quanto à condução das próximas eleições de 2027, parece ter gerado conflitos internos.
Valdir acusa o partido de intimidar e coagir os membros do Comitê Central, forçando-os a aprovar documentos errados que violam os estatutos do MPLA. Essas questões, associadas à sua postura crítica, são apontadas como as razões principais para o processo disciplinar que agora enfrenta.
Em uma publicação recente nas redes sociais, o ativista Gangsta compartilhou um documento que esclarece a situação de Valdir Cónego, acusando o MPLA de perseguir o militante por sua postura democrática, crítica e sincera. O documento também destaca as críticas de Cónego sobre a atuação do líder do MPLA, João Lourenço, que, segundo ele, tem cometido erros graves que podem prejudicar o partido nas próximas eleições.
Agora, com o processo disciplinar em curso e a possibilidade de sua saída do MPLA, Valdir Cónego poderá seguir para o Partido Cidadania, buscando uma nova plataforma para suas ideias e reivindicações políticas. O futuro político de Cónego, embora incerto, promete ser um novo capítulo para a sua carreira, com uma candidatura ao Partido Cidadania, que está se destacando como uma alternativa no cenário político angolano.