
O impacto da mais recente subida do preço do gasóleo em Angola já começa a sentir-se no bolso dos passageiros. Se, por um lado, alguns setores do transporte urbano resistem à pressão dos custos operacionais, como é o caso dos tradicionais táxis “azuis e brancos”, por outro, os operadores de autocarros — sobretudo os de rotas longas e expressas — não escaparam ao reajuste tarifário, que em alguns casos ultrapassa os 20%.
A operadora Rosalina Express, com forte presença nas principais ligações de Luanda, anunciou novos preços em vigor desde segunda-feira, 31 de março. A empresa justifica a decisão com o aumento do gasóleo, cujo preço subiu de 200 para 300 kwanzas por litro na semana passada. A ligação entre Kilamba e o centro de Luanda (Largo das Escolas) subiu de 800 para 1.000 kwanzas para quem paga em numerário — um acréscimo de 25%. Já os portadores do cartão da operadora passam a pagar 950 kwanzas, o que representa um aumento de 19%.
Outros trajetos da Rosalina Express também sofreram reajustes: a rota entre Viana e o centro de Luanda passou a custar 600 kwanzas em dinheiro e 550 com cartão, subidas de 20% e 10%, respetivamente. No percurso entre o Zango e o centro, os valores passam agora a ser de 800 kwanzas em numerário e 750 com cartão — aumentos mais moderados, de 14% e 7%.
No segmento interprovincial, a Real Express foi uma das primeiras empresas a refletir os novos custos operacionais nos preços. As viagens entre Luanda e Huambo ou Benguela, com partida na Gamek, subiram de 10.000 para 11.000 kwanzas, um aumento de 10%. O percurso até ao Lubango teve um reajuste de 6,25%, passando a custar 17.000 kwanzas. Já para Waco Cungo, o bilhete passou a custar 8.000 kwanzas, face aos 7.500 anteriores — um acréscimo de 6,7%.
Segundo fonte da Real Express, o reajuste foi inevitável: “Operamos com uma frota movida exclusivamente a gasóleo. Fizemos um ajuste mínimo, que ainda assim não cobre todo o impacto do aumento do combustível nos nossos custos.”
A Macon, por sua vez, mantém um modelo de tarifas flutuantes nos seus serviços interprovinciais. Desde os últimos aumentos dos combustíveis, os preços dos bilhetes variam consoante a procura, o momento da compra e até o horário da viagem. Entre Luanda e o Huambo, por exemplo, o valor pode oscilar entre 12.180 e 15.290 kwanzas. A empresa explica que essa flexibilidade permite alguma margem de manobra sem mexer nos tetos máximos estabelecidos, preservando o equilíbrio entre sustentabilidade operacional e o poder de compra dos passageiros.
“Temos limites definidos para todas as rotas. Dentro desse intervalo, conseguimos adaptar os preços ao mercado, especialmente em épocas festivas ou períodos de grande procura”, explicou Armando Macedo, coordenador comercial da Macon.
Enquanto isso, o Governo mantém conversações com a Associação Nacional das Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros (Transcol), avaliando a possibilidade de um ajuste generalizado nas tarifas dos transportes públicos colectivos, num esforço para responder à nova realidade do setor sem comprometer o acesso dos cidadãos ao transporte.