
A Rússia expressou duras críticas às novas restrições impostas pelo Reino Unido a indivíduos que trabalham para o governo russo ou iraniano no país. A medida exige que essas pessoas se registrem em um sistema de controle de “influências estrangeiras”, sob pena de enfrentarem prisão caso não cumpram a norma.
Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, qualificou as novas regras como “verdadeiramente insanas”, em um comentário divulgado pela agência de notícias France-Presse (AFP). As medidas, anunciadas pelo governo britânico na terça-feira, entram em vigor em julho e obrigam qualquer pessoa que trabalhe para o Estado russo ou iraniano a se registrar no Sistema de Registo de Influência Estrangeira (FIRS, na sigla em inglês).
Zakharova questionou o alcance da nova lei, sugerindo se até veteranos britânicos da Segunda Guerra Mundial, que foram condecorados pela Rússia com a medalha Ushakov, precisariam agora se registrar como agentes russos. Ela criticou também a classe política britânica, acusando-a de “deficiência intelectual” e afirmando que os atuais governantes britânicos estão desperdiçando tempo buscando conexões com a Rússia, em vez de se concentrarem em questões mais importantes.
O novo sistema do Reino Unido visa combater a influência estrangeira, colocando a Rússia entre os países sujeitos às medidas mais rigorosas. A partir de agora, qualquer indivíduo que tenha vínculos com componentes do governo russo, incluindo o presidente, o parlamento, agências governamentais e serviços de inteligência, deverá se registrar no FIRS. A medida também afetará indivíduos ligados a partidos políticos russos, como o Rússia Unida, o partido do presidente Vladimir Putin.
As tensões entre o Reino Unido e a Rússia já eram elevadas antes do conflito na Ucrânia, mas se intensificaram desde a invasão russa em fevereiro de 2022. O Reino Unido se posiciona como um dos principais aliados da Ucrânia, tanto no apoio militar quanto financeiro.