
(FILES) This file photo taken on March 4, 2017 shows electoral posters of MPLA (The People's Movement for the Liberation of Angola) presidential candidate Joao Lourenco isplayed during a rally in Luanda. Angola's election commission on September 4, 2017 rejected accusations of irregularities in last month's vote which saw the MPLA party, which has ruled since 1975, retain power. Four defeated opposition parties complained that the August 23 election was conducted incorrectly, with ballot boxes and voter forms allegedly disappearing. / AFP PHOTO / AMPE ROGERIO
Nesta semana, o presidente João Lourenço agitou as bases do MPLA ao defender a escolha de um jovem como seu sucessor à frente do partido. Essa proposta, contudo, gera questionamentos sobre a viabilidade e legitimidade de tal decisão, considerando os desafios enfrentados e o histórico do próprio presidente. A decisão de Lourenço não apenas desconsidera as diferentes vozes e aspirações dentro do partido, como ignora sua própria trajetória de liderança, marcada por insatisfações e falhas.
A crítica central à ideia de João Lourenço é a sua falta de legitimidade para exigir que os militantes aceitem sua escolha de sucessor. Durante o seu mandato, as suas decisões revelaram-se ineficazes, e a inclusão de jovens em posições estratégicas, em muitos casos, resultou em mais problemas do que soluções. Hoje, alguns desses jovens líderes estão envolvidos em práticas que mancham a imagem do MPLA e do governo, demonstrando um saldo verdadeiramente negativo.
A questão não está na promoção de novas lideranças, mas sim na seriedade, competência e compromisso daqueles que chegam a posições de poder.
Com o estado crítico em que João Lourenço colocou o país, Angola precisa de um líder experiente, maduro, com um histórico sólido e que compreenda as complexidades políticas e sociais do país. Precisamos de alguém capaz de corrigir o rumo e construir um futuro mais estável e promissor para o MPLA e para Angola.
Tomemos como exemplo Luiz Inácio Lula da Silva, que mesmo com sua idade avançada revitalizou o Brasil e recuperou sua posição no cenário internacional. Sua liderança não se destacou apenas por uma questão de idade, mas pela capacidade de unir e guiar o país em tempos adversos. Outros exemplos, como Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia), Recep Erdogan (Turquia), Bola Tinubu (Nigéria) e Marcelo Rebelo de Sousa (Portugal), reforçam a ideia de que liderança não depende de juventude, mas de experiência e capacidade de inspirar.
O MPLA necessita de uma liderança que respeite o legado do partido, e que não sobrecarregue suas bases com imposições que ignoram a diversidade e a experiência acumulada ao longo dos anos. É essencial abrir espaço para um debate democrático e inclusivo, onde diferentes candidatos possam apresentar suas propostas para o futuro de Angola.
Em nome das figuras históricas do MPLA, como Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos, é hora de repensar a estratégia de sucessão no partido. A imposição de um jovem ou de qualquer candidato sem a devida consideração pela experiência representa um retrocesso num momento em que o MPLA precisa de estabilidade e visão clara para enfrentar os desafios presentes e futuros.
Autor: Pedro Milagre Kilamba
Licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), Mestre em Estratégia pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da então Universidade Técnica de Lisboa, e Doutorado em Relações Internacionais pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC).