
Numa decisão que quebra o silêncio de muitos, a dirigente angolana Marcela Bessa anunciou a sua desvinculação total do MPLA, partido no poder em Angola há quase meio século. O gesto, pouco comum entre membros do Comité Central, foi oficializado por meio de uma carta dirigida ao Comité Provincial de Luanda.
De formação médica e com uma longa trajetória dentro da estrutura do partido, Marcela ocupava cargos relevantes, entre os quais o de Secretária para os Assuntos Económicos e Sociais do Comité Provincial de Luanda, além de ser membro ativo da Organização da Mulher Angolana (OMA).
A decisão surge após sinais dados no final de 2024, quando expressou vontade de se afastar das funções partidárias em Luanda, alegando uma possível transferência para a província do Cuando Cubango, onde o seu esposo exerce funções na área da saúde.
Apesar do afastamento ser justificado por motivos pessoais, a presença da ex-dirigente em Março último no congresso do Partido CIDADANIA — onde esteve ao lado do irmão, Júlio Bessa — gerou especulações sobre uma possível reorientação política. Até ao momento, porém, não há confirmação oficial de que Marcela tenha aderido à nova formação política.
A saída ganha destaque por ser a primeira renúncia de um membro do Comité Central desde a ascensão de João Lourenço à liderança do MPLA, num período em que o partido enfrenta tensões internas e crescentes desafios externos.
Figura de reconhecido peso tanto na estrutura do partido como no serviço público, Marcela Bessa deixa para trás uma carreira política marcada por contribuições significativas, especialmente nas áreas sociais e de género.
Sua renúncia reacende o debate sobre o espaço de expressão política dentro dos partidos tradicionais angolanos e o papel das novas formações políticas no cenário pós-eleitoral do país.