
Uma forte crítica às condições de vida em Angola ganhou destaque nas redes sociais esta semana, após declarações contundentes do líder do Movimento dos Estudantes de Angola (MEA), Francisco Teixeira, sobre a crise de saneamento que afeta o país. Em entrevista recente, o ativista denunciou a precariedade no acesso à água potável e questionou o papel do governo diante da proliferação de doenças como a cólera.
“Em que parte do mundo se recomenda que as pessoas bebam água com lixívia?”, questionou Teixeira, ao comentar a orientação de autoridades de saúde para que os cidadãos utilizem desinfetante na água antes do consumo. Para ele, isso é um reflexo direto da ausência de investimentos em infraestrutura básica e do abandono prolongado de comunidades inteiras.
O estudante foi ainda mais incisivo ao afirmar que a cólera é uma “doença associada à miséria” e que a sua presença recorrente no país simboliza o fracasso de políticas públicas essenciais. “Estamos a viver num país que normalizou o anormal. Isto não é normal”, disse.
As críticas não pouparam as autoridades responsáveis pelo setor da saúde. Teixeira apontou omissão por parte da Ministra da Saúde e acusou o Executivo de agir com “irresponsabilidade crónica” ao ignorar as necessidades sanitárias da população. Segundo ele, a realidade de milhares de angolanos é marcada por fossas a céu aberto, falta de rede de esgoto e água imprópria para consumo.
A entrevista rapidamente ganhou repercussão online, onde muitos internautas manifestaram apoio às palavras do líder estudantil, enquanto outros defenderam que o governo enfrenta limitações herdadas de décadas de desafios estruturais.
Independentemente da polémica, as declarações de Francisco Teixeira reacendem o debate sobre as desigualdades sociais e a fragilidade do sistema de saúde pública em Angola, especialmente no que toca ao acesso a serviços de saneamento — um direito básico ainda fora do alcance de uma parte significativa da população.