
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou para a necessidade urgente de a Europa reduzir a sua dependência tecnológica dos Estados Unidos e da China, especialmente no setor dos pagamentos digitais. A declaração foi feita durante uma entrevista ao programa de rádio irlandês ‘The Pat Kenny Show’.
Lagarde destacou que, atualmente, grande parte dos pagamentos digitais realizados na Europa, seja em compras ‘online’, seja com cartões bancários ou telemóveis, dependem de infraestruturas externas ao continente. “Se pensarmos bem, neste momento muitos dos nossos pagamentos digitais dependem sempre de infraestruturas não europeias”, afirmou.
Citando exemplos como Visa, Mastercard, PayPal e Alipay, Lagarde enfatizou que todas essas soluções pertencem a empresas sediadas nos Estados Unidos ou na China. “Toda a infraestrutura mecânica que permite efetuar pagamentos, de crédito e de débito, não é uma solução europeia”, alertou.
A questão da soberania tecnológica foi evidenciada quando a jornalista Pat Kenny perguntou se isso significava que, ao fazer um pagamento na União Europeia (UE), os dados eram transmitidos para fora do bloco. Lagarde respondeu de forma direta: “Completamente”.
Apesar de reforçar que essas empresas atuam conforme a regulamentação europeia, Lagarde alertou que essa dependência representa uma vulnerabilidade que deve ser corrigida. “Temos de garantir uma alternativa própria em território europeu, porque nunca se sabe”, afirmou, sugerindo que a criação de uma infraestrutura de pagamentos independente seria uma medida estratégica para proteger a economia da região.
Durante a entrevista, a presidente do BCE também comentou sobre os impactos das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, classificando-as como “totalmente negativas para a economia mundial”. No entanto, evitou sugerir como a União Europeia deveria reagir, argumentando que essa decisão cabe aos líderes políticos. “O nosso trabalho no banco central é antecipar, explicar-lhes quais serão as consequências em termos de impacto económico, porque será sempre negativo em todo o mundo”, concluiu.
O alerta de Lagarde reforça a crescente preocupação da União Europeia com a sua autonomia tecnológica e a necessidade de investir em soluções próprias para fortalecer sua posição no cenário econômico global.