
A Bolsa de Dívida e Valores de Angola (Bodiva) encerrou o ano de 2024 com um desempenho abaixo do esperado, registando uma redução de 57% no seu resultado líquido. Os números, apresentados em Luanda, refletem uma conjuntura económica desafiadora que impactou diretamente o mercado de capitais angolano.
Entre os fatores que contribuíram para essa retração, destaca-se a queda de 27% no volume de negócios, que totalizou 5,1 mil milhões de kwanzas. O aumento das despesas operacionais, nomeadamente os custos com pessoal (crescimento de 12%) e outros encargos administrativos (incremento de 28%), também influenciou negativamente os resultados da instituição.
A Bodiva indicou que os custos com subcontratações, fornecimento de serviços de terceiros, amortizações e taxas atingiram 3,9 mil milhões de kwanzas, um aumento de 16% face ao ano anterior. Além disso, o EBITDA – indicador financeiro que mede o desempenho antes de juros, impostos, depreciação e amortização – registou uma descida expressiva de 49%, enquanto o ativo líquido da entidade ficou nos 9,7 mil milhões de kwanzas, representando uma redução de 3% em comparação com 2023.
Num cenário de incerteza macroeconómica, a Bodiva apontou como principais desafios a estratégia de gestão da dívida pública e a adaptação do mercado ao novo modelo de intermediação financeira. Essas mudanças impactaram a liquidez e o comportamento dos investidores, reduzindo o volume de negociação e alterando os principais indicadores financeiros da bolsa angolana.
Apesar do ambiente adverso, o mercado primário registou movimentações importantes, como a admissão à negociação da ENSA, uma das maiores seguradoras do país, e a Oferta Pública de Venda da petrolífera ACREP. As operações de reporte continuaram a dominar a tipologia de valores mobiliários negociados, representando 48,75% do volume transacionado.
No que diz respeito à distribuição de dividendos, 2024 foi um dos anos com menor montante distribuído. Os acionistas da Bodiva aprovaram a aplicação dos lucros da seguinte forma: 27% foram alocados às reservas legais para fortalecer a estrutura financeira da instituição, 29% destinaram-se a resultados transitados para financiar projetos estratégicos e 44% foram distribuídos como dividendos aos investidores.
Olhando para o futuro, a Bodiva reafirmou o compromisso de impulsionar o mercado de capitais angolano, apostando na diversificação dos produtos financeiros e na captação de novos investidores. A admissão de novas empresas à negociação e o estímulo ao investimento institucional e de retalho estão entre as prioridades para os próximos anos.
Nos últimos oito anos, a bolsa angolana manteve uma taxa média anual de crescimento de 69,94%, um indicador positivo que, apesar das dificuldades atuais, reforça a importância do setor financeiro para o desenvolvimento econômico do país.