
reporter: darci debona foto: raquel heidrich DC Chapecó economia frigorifico em chapecó. setor de frangos.
Num momento em que o país busca maior autonomia alimentar e equilíbrio nas contas externas, o Governo angolano anunciou uma meta ambiciosa: reduzir, até 2027, cerca de 80% da carne suína atualmente importada. A informação foi avançada pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, durante um encontro realizado em Luanda.
Segundo o responsável, esta aposta está ancorada em investimentos contínuos no setor agrícola e pecuário, com foco na produção nacional e no apoio direto aos pequenos e médios produtores. “Temos feito investimentos importantes e vamos continuar a fazê-lo. O caminho está a ser trilhado, e sentimos que é o certo, apesar dos desafios que persistem”, afirmou Massano.
Entre os pilares dessa estratégia está a capitalização de diversos instrumentos financeiros que atuam no apoio ao desenvolvimento rural. O ministro destacou, por exemplo, os recursos canalizados ao Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), ao Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), ao Fundo Activo de Capital de Risco Angolano (FACRA) e ao Fundo de Garantia de Crédito (FGC). Só no FADA, foram mobilizados cerca de 18 mil milhões de kwanzas no último ano.
Um mecanismo inovador tem ajudado a financiar esse fundo: metade da taxa de encargos aduaneiros cobrada sobre produtos alimentares importados tem sido redirecionada para o FADA. “Estamos a transformar receitas de importação em apoio direto ao nosso setor produtivo”, explicou.
Além da questão da carne suína, o Governo reafirma o compromisso com a estabilização macroeconómica, com destaque para a reforma dos subsídios à energia, água e combustíveis, com o objetivo de garantir maior alcance e eficiência na prestação desses serviços à população.
Com estas medidas, o Executivo angolano espera não só reduzir a dependência externa, mas também dinamizar a economia rural, gerar emprego e promover maior sustentabilidade no setor alimentar.