
As autoridades da Alemanha e da Áustria anunciaram, esta quarta-feira, a proibição da entrada nos seus territórios do presidente da Republika Srpska, Milorad Dodik, e de outros dois políticos sérvios da Bósnia, Nenad Stevandic e Radovan Viskovic.
A decisão foi tomada em coordenação com outros parceiros europeus e anunciada em Sarajevo pela chefe da diplomacia austríaca, Beate Meinl-Reisinger, e pela secretária de Estado alemã para a Europa, Anna Lührmann. As autoridades europeias acusam Dodik de promover ações secessionistas que ameaçam a estabilidade e a ordem constitucional da Bósnia.
“A Bósnia-Herzegovina tem um futuro europeu, mas não pode ser obstruída por alguns políticos”, afirmou Meinl-Reisinger, reforçando o compromisso da União Europeia em apoiar as forças pró-europeias no país.
Dodik, que recentemente regressou de um encontro com o presidente russo, Vladimir Putin, declarou que a Interpol rejeitou um pedido da Bósnia para emitir um mandado de captura internacional contra si. A Sérvia, que também concedeu cidadania a Dodik, apresentou uma nota de protesto contra o pedido bósnio, com o apoio de Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria.
O líder sérvio da Bósnia é procurado pela justiça bósnia sob acusação de atentar contra a ordem constitucional do país, após uma série de ações separatistas desde fevereiro deste ano. A crise política agrava-se com a aproximação do 30.º aniversário dos Acordos de Dayton, que puseram fim à guerra da Bósnia (1992-1995).
A situação reflete a crescente tensão nos Balcãs Ocidentais, com a União Europeia a reforçar a sua posição contra políticos que desafiam a unidade e a integridade territorial da Bósnia-Herzegovina.