
Em um momento decisivo para o futuro de Cabinda, a Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC-FAC) divulgou um comunicado oficial reforçando sua disposição para o diálogo, mas deixando claro que espera ações concretas do governo angolano. A organização ressalta que, apesar das tentativas de negociação, ainda não viu um compromisso genuíno para resolver as questões que afetam a província.
Fundada em 1969, a FLEC-FAC defende a independência de Cabinda, argumentando que a região, separada do restante de Angola por uma faixa de território congolês, possui uma identidade própria. Seus membros, compostos majoritariamente por civis voluntários, se opõem ao governo do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), sustentando que documentos coloniais portugueses comprovam que Cabinda nunca fez parte administrativamente do país.
No comunicado, a FLEC-FAC lamenta que promessas feitas ao longo dos anos ainda não tenham saído do papel. Segundo a organização, a pacificação da região passa pela adoção de medidas concretas e não apenas pelo discurso. Por isso, enquanto não houver um compromisso real, novas iniciativas por parte da FLEC-FAC não serão tomadas.
A situação em Cabinda é delicada. Apesar de ser uma das regiões mais ricas em petróleo, grande parte da população local sente que não usufrui dessa riqueza. O descontentamento crescente reforça a luta da FLEC-FAC pela autonomia, baseada na crença de que os cabindenses poderiam administrar seus recursos de maneira mais justa e eficiente se tivessem mais autonomia política.
Ainda assim, o grupo mantém uma postura de diálogo. No comunicado, reitera a disposição para negociar com o governo angolano, desde que haja transparência e um verdadeiro desejo de resolver o que chamam de “conflito eterno”. A esperança da FLEC-FAC é que o caminho para a paz e a estabilidade de Cabinda seja finalmente trilhado, não apenas com palavras, mas com ações concretas.