
Os ex-trabalhadores angolanos na antiga República Democrática Alemã (RDA) exigiram, nesta quarta-feira (2), na sede do MAPTESS, o pagamento da dívida que o Estado angolano lhes deve há 34 anos. Segundo Marcos Fuca, representante do grupo, o valor de 168.489 dólares para cada um dos 1.676 beneficiários deveria ter sido totalmente liquidado até 2006, mas isso não ocorreu.
O grupo afirma ter enviado várias solicitações ao Presidente João Lourenço, incluindo uma carta em 13 de fevereiro de 2025, sem obter resposta. Eles pedem a criação de uma comissão ad hoc para investigar o caso. Além disso, contestam a atuação do advogado Sérgio Raimundo, que declarou que os valores já foram pagos. “O dinheiro não foi pago integralmente, e precisamos de esclarecimentos sobre o paradeiro dessa soma”, afirmou um dos membros.
A associação denuncia que o MAPTESS mentiu reiteradamente sobre a quitação da dívida e lembra que, apesar de um despacho da 6ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros de 2003 ter determinado o pagamento de 135 milhões de dólares, os valores nunca chegaram aos trabalhadores. Eles responsabilizam diretamente o ex-ministro Pitra Neto e outras figuras envolvidas.
Diante da demora na resolução do caso, os ex-trabalhadores alertam que podem recorrer a manifestações em frente às embaixadas angolanas em Berlim e ao Parlamento Europeu em Bruxelas. O grupo também solicita a criação de uma comissão de investigação composta por representantes da Presidência da República, do Tribunal de Contas, da Inspeção Geral da Administração do Estado (IGAE) e da associação para esclarecer o destino dos fundos.
A associação lembra que, apesar de despachos presidenciais favoráveis ao pagamento da dívida em 2020 e 2023, os valores ainda não foram repassados. O Governo ainda não se pronunciou sobre o caso.